Luto em tempos de festividades

O período de festividades de final do ano costuma ser especialmente difícil e estressante para pessoas que estão em processo de luto.

Em meio a confraternizações, retrospectivas, renovação de esperanças, os enlutados lidam com sentimentos de tristeza e pesar em decorrência de sua perda.

“Nos momentos de perda, a esperança é o maior presente que podemos dar a nós mesmos e a quem amamos “ Dwight Daniels

Com o objetivo de trazer conforto e esperança aos enlutados, Dwight Daniels, em seu livro “Terapia para vivência do luto no tempo de Natal”, traz uma série de sugestões para este período do ano.

Abaixo estão algumas delas que podem auxiliar a pensar de que maneira é possível passar por este momento:

  • esteja perto das pessoas que se importam com você, elas o ajudarão a vencer este tempo de dificuldade;
  • haverá momentos, no entanto, em que você simplesmente precisará ficar sozinho. Tudo bem em recusar um convite para um evento. Suas necessidades emocionais são o que verdadeiramente importa;
  • procure equilibrar os momentos de solidão e os momentos que você passa com outras pessoas. Momentos de solidão são benéficos, mas não o isolamento. Procure um amigo quando você precisar conversar;
  • se enfeitar sua casa e preparar um grande jantar for demais para você, encontre um jeito mais simples de marcar esta época do ano. Não se obrigue a fazer mais do que você pode.
  • a mudança de ambiente pode ser salutar quando o cenário familiar traz recordações dolorosas. Considere a possibilidade de passar as festas com um amigo ou parente numa outra cidade;
  • é bom descansar um pouco em meio às festividades de final de ano, se isso for sua necessidade;
  • você pode tirar “férias” em casa. Permita-se ficar aninhado em seu sofá preferido, pode ser algo muito bom e uma maneira de escapar do estresse desta época;
  • talvez você possa escrever uma carta ou pintar um quadro que expresse sua perda. Você não precisa enviar esta carta para alguém ou pendurar o quadro. Eles são para você. O objetivo é simplesmente externar seus sentimentos;
  • algum tempo de silêncio faz bem para a alma. Talvez este ano as festividades digam algo particular para você;
  • quando tudo à sua volta é alegria, a tristeza pode chega inesperadamente. Seja gentil consigo mesmo caso se encontre no meio de outras pessoas. Afaste-se um pouco e tome um pouco de ar livre;
  • lembre-se de que não é nenhum pecado mudar ou mesmo não realizar algumas tradições próprias dessa época. As pessoas que te amam vão entender;
  • outras pessoas também estão passando por momentos difíceis neste período. Procure um grupo de apoio na região onde você mora. Partilhar sua dor com outros que compreendem sua situação pode trazer conforto e paz;
  • lembre-se de que é perfeitamente normal sentir felicidade e alegria neste período – mesmo que em meio ao seu luto. Quem você amou gostaria que você se sentisse feliz;
  • o amor nunca morre. Um dia, a paz e a felicidade retornarão ao seu coração atribulado. Tão certo quanto o dia dá lugar à noite, um novo alvorecer espera por você, além de todo pesar e de toda dor.

Como auxiliar um enlutado por suicídio?

  • esteja disponível para a pessoa enlutada. Mostre que se importa, ofereça apoio e haja com empatia;
  • não questione quais são as possíveis causas e motivos da morte. Não faça julgamentos ou busque um culpado, pois não existe uma única causa para o suicídio (ele é multideterminado) e estas perguntas podem intensificar o sofrimento do enlutado;
  • permita que o enlutado fale sobre sua perda e sobre o falecido, se for o seu desejo. Evitar falar não irá diminuir a dor, ao contrário, falar pode dar vazão à dor e à saudade, aliviando seu sofrimento;
  • não impeça o choro ou qualquer expressão de pesar. É natural sentir falta do falecido neste período do ano e poder expressar seu pesar é fundamental;
  • preocupe-se mais em ouvir e acolher a pessoa enlutada do que buscar soluções ou falar coisas para tentar diminuir o sofrimento;
  • o enlutado pode precisar de um tempo sozinho, respeite o espaço e o tempo de elaboração da pessoa.

Se você estiver em crise suicida, entre em contato com o CVV no número 188 ou busque um pronto socorro com profissional de saúde mental na sua região (Rede de Atenção Psicossocial – RAPS – no SUS).

Fonte: Daniels, D. Grieving at Christmastime. Editora Paulus, 2006.  

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1 Resultado

  1. Isilda disse:

    Realmente, a dor do enlutado pela morte de um filho ê imensa. Passamos por dias difíceis, nem sempre compreendidos pelas pessoas. Nem mesmo os familiares.

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